Queimadas ameaçam pilotos de voo livre durante período de seca no Tocantins

Data publicação 21/02/2019
O período seco tem como fator de risco as queimadas, e de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Tocantins já acumulou mais de 3.500 focos de janeiro ao início de agosto deste ano. Esse é um dos motivos de preocupação para quem pratica voo livre no estado.
 
- A fumaça afeta a respiração e costuma sujar bastante o equipamento de voo. Além disso ainda temos problemas com turbulência causada por essa fumaça e o risco de pouso em uma área que ainda pode ter algum foco, e causar queimaduras no piloto e estragar o equipamento - comenta Silvio Faria Lima, que já voa há 25 anos e é instrutor há 21.
 
Além destes perigos, ainda há risco do parapente fechar, visibilidade afetada, dores de cabeça, enjoos, perigo de cinzas nos olhos do piloto e de brasa no tecido do velame (parte superior inflável do equipamento).
 
- Já tive que pousar com emergência. Em 2016 tivemos uma grande queimada. Eu estava voando e inalando muita fumaça. Me deu náusea e dor de cabeça, aí tive que ir para pouso. Intoxicação forte - conta Márcia Finelli.
 
 
A piloto ainda faz um alerta para praticantes e conta que se preocupa com a queimada que está consumindo a Serra do Carmo, único lugar usado pelos atletas para realizar os voos. Márcia diz que o fogo já queimou por trás da rampa, e que a qualquer momento pode chegar lá onde tem grama sintética, prejuízo para quem ajudou a pagar pela estrutura.
 
De acordo com o meteorologista Sérgio Luiz Cabral, o Tocantins está em um período considerado "normal" do ponto de vista climatológico.
 
- Este período de estiagem deve ir até o final da segunda quinzena de outubro. Evidente, que neste mês de setembro já começa o período de transição, saindo da estiagem para entrar no período chuvoso. Por isso podem ocorrer chuvas esporádicas, como a “chuva do cajú” e a “chuva do pequi”, por exemplo - explica o meteorologista.